Frequentemente, eu me convencia de que não era um dependente, uma vez que utilizava substâncias apenas nos finais de semana. Achava que, se quisesse, poderia parar de usar drogas tão facilmente quanto termina um refrigerante e descarta a lata. Diversas vezes, saí para adquirir drogas, utilizando metade do dinheiro que tinha, dizendo a mim mesmo: “é só essa por hoje, pois vou precisar do restante amanhã”. No entanto, assim que a droga acabava, voltava a prometer: “vou gastar e amanhã consigo repor o dinheiro pedindo emprestado a alguém”, e logo me via consumindo novamente até que tudo terminasse, saindo em busca de mais. O plano de pedir dinheiro emprestado se tornava realidade, e eu já não pensava em quitar minhas contas. Quando percebia, o dia seguinte chegava e eu estava sem dinheiro, endividado e em desespero,
desejando ainda mais drogas. O que eu quero ressaltar é que, no que diz respeito ao uso de drogas, não há usuários ocasionais. Passei pela fase em que dizia que só usaria nos finais de semana, mas, na verdade, para mim, o fim de semana começava na segunda-feira. Contudo, a negação não vinha só de mim; família e amigos também a apresentavam. Você provavelmente já ouviu a frase: "ele é uma pessoa adorável quando não está usando drogas". Mas quando, de fato, um dependente está livre de seu vício? Eu mesmo costumava ser gentil e educado antes de me drogar, mas isso era apenas uma forma de manipular a situação para conseguir usar. Com uma astúcia quase psicopata, conseguia convencer todos à minha volta: alguns me ajudavam financeiramente, outros me deixavam sozinho durante meu uso e havia aqueles que colaboravam para que eu manipulasse terceiros. Em resumo, um dependente como eu está sempre sob a influência, mesmo quando ainda não usou a substância, pois seu comportamento é moldado pela dependência. Durante meu tempo na clínica, meu terapeuta costumava dizer: "se a Globo visitasse este lugar, contrataria todos vocês como atores".
Por isso, não se deve confiar em adictos. Mesmo quando são pressionados pelas consequências e obrigados a prestar contas pelas loucuras que cometeram para sustentar o consumo de drogas (como roubos, mentiras e fraudes...), eu consegui, diversas vezes, manipular as pessoas ao meu redor usando o primeiro passo do A.A. (Alcoólicos Anônimos). Você está familiarizado com ele?
O primeiro passo é: “Admitimos que éramos impotentes perante as drogas e que tínhamos perdido o controle sobre nossas vidas.” Você sabe quando essas palavras são pronunciadas com sinceridade por um adicto?
Isso acontece quando ele já não tem mais ninguém em quem confiar. Falo isso por experiência própria, pois enquanto havia alguém tentando me ajudar, eu apenas enxergava essa pessoa como uma vítima a ser manipulada em favor dos meus vícios.
Graças a Deus, consegui perder a minha credibilidade, a confiança e o apoio de familiares e amigos antes de chegar a um ponto sem retorno. Porque a credibilidade, a confiança e o convívio com a família e amigos são coisas que posso recuperar. Se eu já tivesse morrido em decorrência das drogas...
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a próxima! Que Deus esteja com vocês!